Haiku nº17 Inédito

Posted in Uncategorized on Agosto 10, 2009 by jtparreira

cumulonimbus

As nuvens manchadas
pela água permanente:
esperam aspersão.

Os meninos da sua mãe

Posted in Uncategorized on Junho 26, 2009 by jtparreira

Ocorreu-me nesse dia gastar a eternidade
na cara dos meninos, manter o tamanho
das suas cabeças, os seus panos
feridos de África, era o que tinham
um olhar
mantiveram-no fundo e sem sonhar
Os olhos, o ranho, a paz na cara que era deles
não sabiam
como iriam iluminar a câmara escura
do futuro.
angola

Meninos de Saurimo em 1969, durante a guerra colonial, Angola. Foto do autor.

Palestina

Posted in Uncategorized on Junho 14, 2009 by jtparreira

palestina

As pedras voam todos os dias
por cima da fronteira de preconceito
e medo
que separa as criaturas de Deus
O ódio engana todos os muros
só para derramar sangue
Os filhos de Abraão insistem em ver  um gigante Golias
do lado do mar na Gaza dos filisteus
mas o sangue clama da terra
e a funda de Davi perdeu a pontaria.

Brissos Lino

A Curva

Posted in Uncategorized on Junho 14, 2009 by jtparreira

Hiroshige_Sketch02_b.

(Gravura de Ando Hiroshige, 1797-1858)

Algum sapato há-de aparecer
naquela curva, um braço depois
da sua sombra,
a desfazer o ângulo
a incerteza e o ôco
do silêncio, Alguém
tem de aparecer naquela curva,
talvez depois do vento
agitar a melancolia
das folhas sem outono.

Macchu Picchu

Posted in Uncategorized on Maio 18, 2009 by jtparreira

 

 MACHU-PICCHU

 

No silêncio agudo dos condores

o azul plana, as casas pousam

 

Nas correntes de ar

pousam sobre o planeta

 

As pedras pousadas

como pássaros

 

Tudo recomeça verde

a cada dia, só as sombras

trepam trémulas

pela noite.

Decote

Posted in Uncategorized on Maio 11, 2009 by jtparreira

Mulher com livro, Picasso

Mulher com livro, Picasso

Dois quartos lunares

Saem da blusa

O roxo do algodão

Era um pôr do sol desusado

Uma planície com horizonte

A perder-se dos olhares.

11/5/2009

Tu

Posted in Uncategorized on Maio 3, 2009 by jtparreira

img_1144419183964Estive contigo todo o dia no meu ouvido

à volta do meu pescoço

o teu perfume, de gotas brilhantes

invisíveis, na dupla palma

das minhas mãos o vento

traz o minúsculo instante da poeira

Estive com os meus cabelos

sonhando com as tuas mãos

estive a respirar o ar

que deixaste para trás

guardei na minha retina a soma

do abrir e fechar dos teus olhos

o teu silêncio agora toca-se

em cada coisa que ficou

cuja textura é inquebrável

como uma lágrima.

3.5.2009  

Neve em Varadero

Posted in Uncategorized on Abril 28, 2009 by jtparreira

 

cs64varadero-cuba-posters1

 

Da neve em Varadero não sabemos

nada senão a sua própria água

 

Quando em Varadero há neve

são os olhos que sonham

alegres

na   espuma em Varadero

 

na dissipação do mar

em espuma em Varadero.

1961

Posted in Uncategorized on Abril 20, 2009 by jtparreira

O meu coração sem trânsito
num tempo
de amores platónicos
no ano 1961.
Os olhos fugiam
para a janela aberta da casa
ali ao lado.

Nem ouvia os ruídos da rua
começava a ter
Angola
as obscuras mortes
e a juventude pendurava
o seu sorriso
na sala oval da América.

Hoje é a mesma rua uma água
turva e larga, por onde se vai
para casas vazias.

História sobre como os Salmos aparecem

Posted in Uncategorized on Abril 6, 2009 by jtparreira

thenglishLevantam-se os salmistas
manhã cedo
por causa da insónia nos seus dedos
levantam-se
para plantar as hastes do som
entre o silêncio.