O anti-pródigo

 

O mundo mudou-me assim tanto

que já não me reconheces?

Estas sandálias

romperam-me os pés, este dedo

nu sem um anel

estes rasgões são o melhor

do meu vestido, ferido

cada joelho esqueceu as orações

O mundo encheu tanto

os meus olhos, que lhes mudou a cor

o meu rosto ocupa agora

um canto do espelho

Diante de ti, pai, não posso

sequer abrir a boca, a minha voz

é próxima de vidros estilhaçados

Este pulmão a tossir

este rosto cavado, por isso

tu não me reconheces.

12/6/2011

Uma resposta para “O anti-pródigo”

  1. Um excelente poema, de um escritor cujo trabalho tenho seguido com interesse e admiração. O talento de JTP justifica que o leiamos assiduamente, com gosto e proveito.

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