O anti-pródigo
O mundo mudou-me assim tanto
que já não me reconheces?
Estas sandálias
romperam-me os pés, este dedo
nu sem um anel
estes rasgões são o melhor
do meu vestido, ferido
cada joelho esqueceu as orações
O mundo encheu tanto
os meus olhos, que lhes mudou a cor
o meu rosto ocupa agora
um canto do espelho
Diante de ti, pai, não posso
sequer abrir a boca, a minha voz
é próxima de vidros estilhaçados
Este pulmão a tossir
este rosto cavado, por isso
tu não me reconheces.
12/6/2011
![filho-prodigo[1]](http://poetasalutor2.files.wordpress.com/2011/06/filho-prodigo1.jpg?w=300&h=253)
Junho 13, 2011 às 20:10
Um excelente poema, de um escritor cujo trabalho tenho seguido com interesse e admiração. O talento de JTP justifica que o leiamos assiduamente, com gosto e proveito.